O Cineclubismo Universitário

Pensar o conceito de cineclube universitário não implica, hoje, considerar somente os epifenómenos que terão, em tempos, conduzido à sua proliferação na cidade do Porto na primeira década do milénio. Assumindo-se aqui uma perspectiva actualista quanto àquilo que seja a realidade da oferta cinematográfica na cidade, a questão passará agora por saber da ainda necessidade destes clubes.

Numa cidade onde a exibição cinematográfica se afigurava, à data em que foram criados, imoderadamente parca, os cineclubes universitários surgem com o intento de possibilitar o acesso às distintas filmografias e estéticas da história do Cinema, bem como servir de mote para o impulso de uma postura crítica e reflexiva sobre as obras.

Ainda que a génese do cineclubismo universitário em nada se tenha retractado, não deixa de ser exacto afirmar a suplantação daquele cenário. Entre o deserto de então e o presente, vimos germinar uma série de projectos caracterizados pelas suas frases-signo onde se declaram devolutivos do Cinema ao Porto. E fazem-no bem! Porém, com uma distribuição que olvida tudo o que seja pré-década de 90 – salvo estes mais recentes e louváveis esforços de restauro que, ainda assim, são apontamentos – continua a não ser possível a exibição de quase toda a história do cinema. Porque o Cinema é também Memória e é em particular a sua própria memória que se quer preservar, estão os cineclubes universitários ainda no papel de trazer ao público em construção, o jovem, todo o cinema a que de outra forma não conseguem aceder. Trata-se, afinal, de não se perder a ideia de cinefilia, no sentido que Rancière lhe atribui, “um caso de paixão”, com tudo o que ela acarreta.

Cineclube FDUP