A CIDADE QUE RECUSA
NÃO TER CINEMA

Uma agenda é, fundamentalmente, um sistema de arrumação cronológica de eventos. A agenda que agora dedicamos à exibição de cinema fora dos espaços comerciais cumpre essa função ortodoxa mas também a de se tornar num mecanismo de visibilidade de projetos
e, desejavelmente, de estímulo de públicos para as suas atividades – no sentido da sua circulação mas também criação.

A diversidade (numérica e programática) das sessões incluídas neste número inaugural da Agenda do Cinema Independente atesta a pertinência desta cartografia de oportunidades para ver cinema na cidade que, a partir de maio, levamos a cabo em colaboração com inúmeros agentes.

Tentando, com este gesto, tornar mais percetível o cinema que podemos ver, acabamos por evidenciar também as diferentes tipologias de exibição e programação. O resultado, não sendo porventura surpreendente, não deixa de ser extraordinário: o Porto é uma cidade com uma oferta fulgurante e polimórfica na área do cinema, por responsabilidade de estruturas, mais ou menos formais, cuja dedicação à cidade e à sétima arte é notável.

O Porto é uma cidade que se pauta por um forte espírito de inovação e no cinema – pensando na realização, produção e nas experiências de exibição – sempre foi pioneira; mas é também uma cidade de resistências e independências. 

A forma de exibir cinema não escapa a essa regra, reinventando-se de forma resiliente, de mãos dadas com novos modelos de cinefilia.

Ao Pelouro, cabe a missão de criar novas medidas para potenciar esta vontade superlativa de explorar as diferentes épocas, estéticas e formas da imagem em movimento. Com esta agenda mensal, damos um pequeno passo nesse sentido.

Pelouro da Cultura